Blog do Clube de Desporto e Aventura Margem Sul. As nossas aventuras nas provas de orientação e corridas de aventura contadas em primeira mão.

quinta-feira, junho 23, 2005

I Raid Comandos Aventura - Terras de Sta. Maria

I Raid Comandos Aventura, Prova realizada nos dias 18 e 19 de Junho.
Organização: Associação de Comandos.




O simples facto de estar a escrever estas linhas, indica que ao contrário do que estava previsto, consegui sobreviver à estreia absoluta em Provas do PEA.

Antes de mais, gostaria de deixar uma palavra de agradecimento à Tânia e Marisa pela excelente assistência que prestaram à equipa ao longo da Prova, especialmente à minha assistente pessoal (Tânia) que também teve a sua estreia em provas do PEA.

Não pretendo descrever ao pormenor em que é que consistia cada uma das etapas, para obter mais informações sobre as características das Etapas e tempos obtidos, podem consultar o site "http://www.portugalecoaventura.pt", no entanto, deixo aqui um breve resumo das nossas Aventuras por Etapa, para mais tarde recordar.


DIA 1

1ª Etapa: Score 100 – Multiactividades


Depois de uma noite bem descansada... pelo menos a Marisa conseguiu dormir, eis que chega a hora da verdade. Equipamento verificado, pequeno-almoço reforçado e tudo apostos para começar com o pé direito uma etapa que se esperava acessível.

Com os 4 elementos em jogo, foi definida a estratégia e começámos o somatório de pontos ao longo do percurso, estávamos em grande forma, um empate técnico no jogo da corda contra uma equipa mais forte “fisicamente” deixou-nos com um sorriso nos lábios mas o jogo “viciado” da malha trocou-nos as voltas e obrigou-nos pela primeira vez na história do Clube a fazer um Score de 99...granda malha.


2ª Etapa:. Orientação em BTT.

Finalmente, a estreia da minha Bulldozer, limpinha, sem riscos, com 2 rodas desempenadas e mudanças afinadas, quais Scott’s ou GT’s, nada como uma bike de peso para enfrentar as subidas da 2ª Etapa.
Durante a etapa, em que participaram ao meu lado o Nelson o Miguel, tudo correu sobre rodas à excepção do penúltimo ponto em que foi necessário empurrar a burra até ao cimo da estrada, no meio do pó e do calor que já se fazia sentir.
Depois de realizado o CP, foi só fazer inversão de marcha e descer até à estrada alcatroada, rolando os últimos 500 metros até à Chegada.
Até aqui, tudo ok... (pensei eu).



3ª Etapa:. Orientação Pedestre c/ percurso fluvial e pontos secretos.

Mais um abastecimento e tudo a meter os pés na água fresquinha do Percurso Fluvial à procura daqueles pontos Ultra-Secretos, que ideia agradável.

Para mim, este percurso foi uma novidade, no pico do calor, caminhar num ribeiro debaixo de boas sombras, até dava para rir quando um de nós (especialmente o Miguel) dava um mergulho involuntário, revelou-se um percurso excelente ao inicio, ... e assim foi, durante algum tempo....

A meio do percurso, o pessoal até já levava uns cajados para evitar os tropeções nas pedrinhas do fundo, apesar disso, até era aceitável o esforço... e assim foi, durante algum tempo....

Na parte final do Percurso, a pergunta do dia era “Quando é que esta porra acaba???”, com os pés cheios de bolhas, canelas esfoladas e armados de cajados até aos dentes já só queríamos era sair da água...

A visão de um Comando no topo de uma cascata a observar a nossa progressão, foi um alivio, pois já começava a pensar se não tínhamos passado pelo ponto de saída do percurso fluvial.

Depois de tirar 2 kgs de pedras dos ténis, o Comando indicou o caminho de volta ao Miguel (desta vez por estrada), enquanto eu o Nelson e a Cristina, começámos uma penosa subida até ao Santuário da Nossa Senhora da Saúde.

Não havia grandes opções, depois de perdermos demasiado tempo no percurso Fluvial, era obrigatório progredir rapidamente para a Chegada.
A subida foi feita a ritmo constante, seguindo sempre por estrada alcatroada, mais uma vez os nossos cajados revelaram-se uma ajuda preciosa, poupando as pernas ao longo da subida.

Apesar de não termos realizado nenhum CP ao longo da subida, chegamos ao fim dentro do tempo previsto... acumulando assim os 3 CP’s secretos obtidos no difícil percurso fluvial.



4ª Etapa:. Biatlo em BTT c/ Orientação e Tiro.

A descer, todos os Santos ajudam, portanto foi só descer de BTT. O Nelson, com o seu estilo inconfundível e velocidade demoníaca, levantava as pedras que minavam o trilho abrindo assim um caminho seguro para a imaculada Bulldozer e para o Miguel que fechava o pelotão.

Depois de um excelente inicio de etapa começamos a nossa progressão para o campo de tiro, que depois de uma ou duas subidas mais complicadas, lá estávamos nós de carabina na mão, deitados de barriga para baixo a fazer pontaria aos alvos. O Miguel apesar de estar a disparar com uma carabina, mais parecia um Comando armado com uma arma automática, pois descarregou os 5 tiros enquanto o comum dos mortais dava 1 tiro.

Após colocação das armas em segurança, era tempo de ver o resultado dos tiros... eu e o Nelson cada um com 5 tiros no centro do alvo deu-nos direito a um convite para a pratica do tiro... o Miguel com 1 tiro no centro do alvo foi convidado a manter-se nas provas do PEA. LOL.

O importante foi termos conseguido obter o CP com 11 tiros válidos e sem perder mais tempo estávamos de volta às bikes a pedalar para a Chegada.

A pressa de chegar foi a nossa inimiga... cometemos alguns erros e quando demos por isso, estávamos completamente desorientados e sem hipóteses de concluir a etapa dentro do tempo limite, depois de umas voltas extras lá conseguimos chegar ao destino, escusado será dizer que “rebentámos” a Etapa.
Mas com mais duas etapas pela frente, não havia tempo a perder... abastecer, mudar de roupa, ligar luzes e começar a etapa seguinte... a noite estava a chegar.



5ª Etapa:. Orientação Pedreste.

A minha primeira Etapa Nocturna, este foi realmente um dia de estreias, com o Miguel a fazer a Orientação e a Cristina a garantir a segurança do grupo com o seu “cajado”, lá íamos os 3 por estradas secundárias a fazer de pirilampos mágicos a caminho de Sta. Maria da Feira.
A etapa correu sem incidentes, a experiência de Orientação do Miguel garantiu que chegássemos a Stª. Maria da Feira sem qualquer tipo de problema ou desvios.
Na memória ficam as Cruzes de Pedra no caminho do Cemitério, a dar aquele toque especial na noite escura, os sons do arraial que decorria em Stª Maria da Feira, a expressão dos habitantes locais quando nos viam a passar cheios de luzes e luzinhas a piscar ...e por fim, a imagem do próprio Castelo que servia de pano de fundo à chegada da 5ª Etapa.



6ª Etapa:. Orientação em BTT Nocturna c/ tempos pré-definidos.

Esta etapa, passou a ser denominada de “Orientação em Autocaravana Nocturna c/ tempos pré-definidos”. Passo a explicar... dadas as condições da altura, decidiu-se fazer uma pausa na prova, jantar um belo prato de massa (mais uma vez a assistência em grande)e fazer o resto do caminho na Autocaravana. Nesta altura devem estar a pensar que fomos direitos para o “Quartel” dormitar o resto da noite... isso também nós queríamos, mas era mais fácil dizer do que fazer... os mapas de assistência e a excelente sinalização das estradas, fizeram-nos andar às voltas no meio da noite numa verdadeira prova de orientação nocturna, o resto desta aventura é muito vago, pois adormeci a meio do caminho e só me lembro de acordar no fim da viagem (que bela soneca), o nosso driver (Miguel) que teve a responsabilidade de se manter acordado e levar toda a gente em segurança até às casernas para um merecido descanso, será a pessoa indicada para contar as peripécias desta viagem. Como nota final sobre a etapa, gostaria de salientar o conforto excepcional da Autocaravana, 5 Estrelas.



DIA 2 (Bem Cedo...)

7ª Etapa:. Orientação em BTT c/ Canoagem e Trikke.


Jovem, se gostas de sofrer e rastejar na lama, então esta Etapa era para ti.

Depois de dormir umas longas 2 horas, incluindo o tempo da soneca, estava tudo “pronto” para nos deslocarmos até Ovar para a partida Matinal da 7ª Etapa. O Nelson e eu, acusando a típica sonolência matinal, lá arrancámos a muito custo de BTT, enquanto que o Miguel e a Cristina davam inicio ao segmento de Trikke e Canoagem. O que estava previsto era voltar a encontrarmo-nos num CP Obrigatório.

Como correu o segmento de Trikke e Canoagem do Miguel e da Cristina não sei dizer ao certo, apenas posso adivinhar que foi duro... o segmento de BTT que eu e o Nelson realizámos foi um verdadeiro passeio matinal comparado com as Etapas anteriores.
Depois de realizarmos alguns CP’s sem dificuldades ou subidas, tínhamos chegado ao local do CP Obrigatório, restava esperar pelos nossos colegas.

Enquanto esperávamos, ainda nos íamos rindo dos adversários que se enterravam até aos joelhos no lodo enquanto desembarcavam e se esforçavam para subir para terra... que bom estar quentinho e seco, pensei eu na altura.
O tempo passava e a maré continuava a descer, dificultando cada vez mais o desembarque dos atletas... até que entram no nosso campo de visão o Miguel e a Cristina com sinais de desgaste físico...era evidente que tínhamos de proceder a uma troca de material e saltar para dentro do Kaiak. O Miguel e Cristina seguiam agora de volta em BTT, o Nelson e eu seguíamos agora por água.

O tempo era apertado e a Maré não estava a ajudar, era necessário tomar riscos e assim fizemos, decidimos avançar por um canal (indicado pela Organização como intransitável naquele momento) com um objectivo de poupar tempo, evitando assim uma volta mais longa e também mais segura.

A decisão estava tomada e agora só podíamos seguir em frente, não havia volta a dar, até porque mal entrámos no canal ficámos encalhados e agora dava-se inicio à parte mais “à Comando” da prova... cada passo, cada metro no lodo era ganho com um esforço tremendo, enterrados literalmente no lodo e com um kaik a reboque, aqueles 100 metros de lodo pareciam 1000 metros, as pernas já não respondiam, não se conseguia dar dois passos seguidos, até que finalmente depois de muito esforço e desgaste físico, conseguimos atingir a saída do canal, agora era urgente pagaiar (remar), com toda a velocidade para a Chegada, o tempo era escasso e não havia tempo para admirar a paisagem.
Mas como é que se podia passar ao lado de CP’s, logo ali ao lado na margem, tão perto e no entanto tão longe... ainda fizemos dois CP’s a rastejar na lama, todas as técnicas eram válidas para ultrapassar aquele lodo o mais depressa possível.

A doca já se encontrava à vista, o tempo estava a correr e a lancha dos bombeiros engraçou com dois tipos cheios lama a pagaiar com toda a força... agradecemos a ondulação extra, mas o que precisávamos era de sair o mais rapidamente da água e saltar para as trikkes. Assim que chegámos a terra ainda hesitámos na escolha das Trikkes, mas com o tempo a correr foi arrancar e começar a largar lodo pela ciclovia acima até à chegada... Para grande entusiasmo conseguimos chegar dentro do tempo previsto, superando as melhores expectativas.

Mais tarde, fiquei surpreendido ao a saber que o Nelson tinha feito o seu baptismo de Kaiak, é de louvar...grande Etapa.


8ª Etapa:. Run & Bike com Bonificação..

Last but not least... A última etapa, finalmente, o desgaste da etapa anterior tinha sido extremamente elevado para todos os atletas, perdeu-se demasiado tempo na assistência e arrancámos atrasados para a última etapa, uma verdadeira corrida contra o tempo.

O Nelson, o Miguel e eu, conseguimos manter no inicio da etapa um ritmo aceitável alternando as duas bicicletas entre nós, mas à medida que avançávamos no terreno os sinais de desgaste físico eram mais que evidentes, o tempo escasseava e as subidas fizeram das suas a quebrar por completo o ritmo desejado.

A meio do percurso, ainda fomos ultrapassados pela equipa do Rui, mas eles tinham desistido da etapa de canoagem...espertos.

A subida para Oliveira de Azeméis, foi o golpe final... estávamos tão perto da chegada, mas o tempo limite já tinha sido atingido...o atraso na partida da Etapa fez a diferença... depois de tanto esforço, rebentar por tão pouco tempo deixou um gosto amargo na última etapa, mas ao mesmo tempo ficámos satisfeitos por ter dado o nosso melhor e ter terminado a Prova.


FIM de PROVA

Com a Prova concluída, era tempo de nos arrastarmos até aos chuveiros... o cheiro a lodo já começava a incomodar a assistência...e depois do banho tomado era tempo de recuperar forças num belo almoço fornecido pela organização. Mais uma vez, chegar até ao local do almoço foi um golpe de sorte, pois não existia mapa, mas a qualidade do almoço compensou a viagem, de certeza que ninguém ficou com fome com aquele belo repasto, bifanas e frangos constantemente a sair da grelha... excelente.

Como balanço final, fica o saldo positivo... pelas experiências, pelas dificuldades superadas, por um fim-de-semana cheio de memórias...

Até à próxima...
Hugo Velez

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

boas pessoal , vi k voces usam bikes bulldozer .... e pa podem dizer-me alguma informaçao sobre essa marca de bikes'??

mandem se puderem para mox.obd@gmail.com

5:54 da tarde

 

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